segunda-feira, outubro 02, 2006

LA MANCHA BRANCA


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Ora senhor, a mim basta
corretivo justo a ti seria um soco
mas para não quebrar-lhe a cara,
mancharei seu rosto

um pouco para esconder-te,
um pouco para limpar-te;

E para que procurem então,
em meio a cidade sem feição,
símbolos escondidos nas flancas
de nostra mancha branca

sábado, setembro 23, 2006

DOCUMENTÁRIO LA MANCHA


Documentário Don Quijote das intervenção,
Dividido em 4 partes:



Saudações!

sexta-feira, abril 07, 2006

A uma passante



A rua em derredor era um ruído incomum,
longa, magra, de luto e na dor majestosa,
Uma mulher passou e com a mão faustosa
Erguendo, balançando o festão e o debrum;

Nobre e ágil, tendo a perna assim de estátua exata.
Eu bebia perdido em minha crispação
No seu olhar, céu que germina o furacão,
A doçura que embala o frenesi que mata.

Um relâmpago e após a noite! — Aérea beldade,
E cujo olhar me fez renascer de repente,
So te verei um dia e já na eternidade?

Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente!
Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais,
Tu que eu teria amado — e o sabias demais!


Charles Baudelaire

Huuummmm, novos suportes...

domingo, janeiro 29, 2006

1º Mesquita do Brasil (Av. do Estado)


Cala-te e escuta:
Tu és o caminho.

Ninguém te guiará,
nem eu,
nem placas,
nem livros,
nem igrejas.

Ninguém irá aplaudir seus atos,
nem eu,
nem outros,
nem ninguém.

Tu estás só.
Só tu.
E mais ninguém poderá caminhar por ti.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Marco zero de SP (Praça da Sé)



São quinze milhões de habitantes de todo canto em ação
Que se agridem cortesmente morrendo a todo vapor
E amando com todo ódio se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros caseados à prestação
Porém com todo defeito te carrego no meu peito
São, São Paulo meu amor
São, São Paulo quanta dor
Salvai-nos por caridade pecadoras invadiram
Todo centro da cidade armadas de rouge e batom
Dando vivas ao bom humor num atentado contra o pudor
A família protegida um palavrão reprimido
Um pregador que condena uma bomba por quinzena
Porém com todo defeito te carrego no meu peito
Santo Antonio foi demitido dos Ministros de cupido
Armados da eletrônica casam pela TV
Crescem flores de concreto céu aberto ninguém vê
Em Brasília é veraneio
No Rio é banho de mar
O país todo de férias
E aqui é só trabalhar
Porém com todo defeito te carrego no meu peito
São, São Paulo meu amor
São, São Paulo

(Tom Zé)

Sr. Conservador diz:


Curso Intensivo de Boas Maneiras

Fique à vontade
Tiau, good bye,
Ainda é cedo,
Alô, como vai?
Com Marcelino vou estudar
Boas maneiras
Pra me comportar.
Primeira lição: deixar de ser pobre,
Que é muito feio.
Andar alinhado
E não freqüentar, assim, qualquer meio.
Vou falar baixinho,
Serenamente, sofisticadamente,
Para poder com gente decente
Então conviver.

Fique à vontade, .... .... etc.

Da nobre campanha
Contra o desleixo
Vou participar
Pela elegância e a etiqueta
Vou me empenhar
Entender de vinhos, de salgadinhos,
Esnoberrimamente,
Trazer o País
sob um requinte intransigente.

Fique à vontade, ... ..., etc.

(Tom Zé)

Teatro Imprensa (Bela vista/Bexiga)


Proibido Árvores, proibido cultura contestadora.
Sílvio Santos vs. Zé Celso
E nós senhoras e senhores...
e nós?

Jesus Cristo é o Senhor (Av. Brigadeiro Luiz Antônio)


Jesus Cristo é o Senhor... E nada nos faltará.
Nem cruz, nem fome, nem apatia, nem inércia.

Um Buda negro na Cruz de Exu.
Brasil, sincretismo possível.

Sr. Conservador diz:

Centro Cultural São Paulo (Av. Vergueiro)

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Não estamos contras as placas de trânsito, apenas lutamos contra os moinhos de vento...





"... Eu tô te explicando
Prá te confundir
Eu tô te confundindo
Prá te esclarecer
Tô iluminado
Prá poder cegar
Tô ficando cego
Prá poder guiar..."

trecho de Tô (Tom Zé)

terça-feira, janeiro 24, 2006

quinta-feira, janeiro 19, 2006

De volta a cidade


A um mundo de rios quebrados
e distâncias inatingíveis
na patinha desse gato quebrada pelo automóvel,
e eu ouço o canto da lombriga
no coração de muitas meninas.
Óxido, fermento, terra estremecida.
Terra tu mesma que nadas pelos números do escritório.
Que vou fazer? Ordenar as paisagens?
Ordenar as árvores que logo são fotografias,
que logo são pedaços de madeira e goles de sangue?
Santo Inácio Loiola assassinou um pequeno coelho
e ainda seus lábios gemem pelas torres das igrejas.
Não, não, não, não; eu denuncio.
Eu denuncio a conjura desses desertos escritórios
que não irradiam as agonias, que apagam os programas da selva,
e ofereço-me para ser comido pelas vacas espremidas
quando seus gritos enchem o vale
onde o rio Tietê se embriaga com azeite.

Gabriel de Garcia Lorca
1929

Panorama cego


Não há dor na voz. Só existem os dentes,
mas dentes que calarão isolados pelo raso negro.
Não há dor na voz. Aqui só existe a Terra.
A terra com suas portas de sempre
que levam ao rubor dos frutos.

Gabriel de Garcia Lorca.
1929

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Faça você mesmo sua intervenção!



Para fazer sua intervenção você vai precisar:
1. Pincel;
2. Artes impressas já recortadas;
3. Cola para lambe-lambe (segue receita).

INGREDIENTES
7 colheres de sopa de farinha de trigo
1 colher de sopa de vinagre, ou pinho sol ou lisoform (evita apodrecimento).
1 litro de água

MODO DE PREPARO
Ferva 3/4 da água em uma panela grande. Misture em uma tigela separadamente 1/4 da água com as 7 colheres de farinha até dissolver totalmente. Ao ferver a água, jogue a mistura com farinha e mexa por 5 minutos até engrossar. Coloque o vinagre e mexa por mais 2 minutos. Resfrie antes de usar. Coloque numa garrafa e já era.

sábado, janeiro 07, 2006

sexta-feira, janeiro 06, 2006

"Qual é a mensagem, qual é a crítica!?"



Isso é querer limitar o trabalho. As placas falam muito mais coisas com uma sobreposição de significados que não cabe a nós definir. Se definirmos vamos estar excluindo as outras possibilidades. É como na frase Zen: "Azul é a resposta do céu, verde a dos campos". Procurar um porque e tentar chegar a uma conclusão é limitar as outras possibilidades que são sincrônicas e tão válidas quanto a nossa. A opinião de uma pessoa que é contra isso e acredita que seja vandalismo é tão importante quanto a opinião de uma pessoa que veja nisso uma outra possibilidade de resignificação, de multiplicidade do olhar no espaço público...

"Ei, você que está me ouvindo aí, você acha que vai conseguir me agarrar? Pois então, tome...


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Já vi que você é perseverante. Vamos ver se você segura esta...


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Meninas, vocês acham que eles querem mais? 'Querem sim'!

Você, que então é tão espertinho, vamos ver se você consegue me seguir neste labirinto."


desenhos: "Só dói quando eu respiro" de Caulos
textos: "Clara Crocodilo" de Arrigo Barnabé

quinta-feira, dezembro 29, 2005

FW: o que vocês acham?



A idéia do grupo é ótima: poetizar os percursos do cotidiano, criando novas significações e rompendo a "normalidade" do "todo dia a mesma coisa". Porém, acho que usar placas de trânsito públicas é problemático. Além da função óbvia de ordenar o fluxo de trânsito e evitar acidentes, foram feitas com o dinheiro de todos. Acho importante questionar a concepção de cidade feita para os automóveis, mas da forma como as coisas estão, impedir a informação que ordene um pouco do caos pode criar mais problemas para as pessoas envoltas na "microfísica" de seus já existentes problemas urbanos. Além disso, em vez de aliados, eles podem colecionar detratores - e não só na imprensa e no grande poder-, nas pessoas a quem eles querem sensibilizar. A saída? Talvez oferecer a escolha para o olhar e para a produção de significados, ou seja, colocar placas outras ao lado de placas existentes, inventar novos suportes, formatos, ironizar sem esconder etc

QUIJOTE RESPONDE:
Obrigado pela colaboração em torno de nossas intervenções, porém temos que discordar da idéia de novas placas visuais ao lado dos simbolos de automação. Todos nós podemos nos orientar sem placas poluidoras, impositivas, de significado restrito para a complexidade de nosso olhar, dos possiveis caminhos que podemos cavalgar, já diria Cervantes... Não somos contra as placas de trânsito, mas não acreditamos somente na funcionalidade dos codigos oficiais, que para nós de certa forma prestam um deserviço ao trânsito e ao cidadão - por mais que a principio pareçam o contrario. Acreditamos na inteligencia do ser humano, nao podemos subestima-lo. A raiz dos problemas do espaço público permeia seus codigos velozes, sua organização progressista, sua saturação visual e simplista, sua respiração acelerada. Novos suportes já estão sendo produzidos para os microcosmos também, é só aguardar. Mas quanto ao macro, façamos da desordem o progresso, da poesia a resignificação, de nossa sinestesia a força que liberta o discurso reacionário do primeiro olhar. Façamos como Ch´u-shih Fan-ch´i.

"Sui-ch´ing yu-chien"

"Clareando-se a água, vêem-se os peixes"
Ch´u-shih Fan-ch´i
(1297-1371)

terça-feira, dezembro 27, 2005

RESPOSTA AO JORNAL “O DIÁRIO DE SÃO PAULO”, AO PREFEITO JOSÉ SERRA E AO DIRETOR DE OPERAÇOES DA CET

(referente a matéria “Serra critica nova ação de adesiveiros” em 26 de dezembro de 2005)



É certo que não estamos alterando as placas de trânsito para provocar um caos na sinalização da cidade de São Paulo e atrapalhar o trânsito. Somos poetas visuais, militantes líricos, defensores do olhar múltiplo e humano, embebidos pela visceralidade poética de Don Quijote - o cavaleiro andante. Não há violência. Não há crime em nossas interações com a cidade. Por isso pedimos o direito de respota para tantas acusações, para o discurso parcial, para a violência de vossas palavras.

Resignificar símbolos de automação, fomentar o questionamento do espaço público, alimentar a cidade de arquetipos miticos e espirituosos. Mas parece que não convém amplificarem nosso questionamento artístico, afinal é preciso classificar, é preciso pensar no prejuízo público, é preciso passar um pano com alcool e água para que nossos adesivos sejam retirados. Mas o que convém perguntar? Despertar um olhar transformador?

“É vandalismo, é uma gangue”, assim fica simples (é só mandar prender senhor prefeito), afinal não há tempo para novas percepções, para desnudar a precipitação do primeiro olhar. E tratando-se do poder público e dos meios de comunicação, olhares imediatistas tornam-se fatais, não? Quanto tempo perdido em decisões editorias e governamentais feitas com base em maniqueísmos simplistas.

Vamos amplificar com imparcialidade a interação do humano no espaço público? Ou mantemos o clima de denuncismo parcial e superficial? Queremos olhar as coisas com calma em nossa cidade, sem tantos juízos de valores, apenas sentir por nós mesmos. Por isso nossas exposições a céu aberto, nosso convite a contemplação de novas possibilidades urbanas, de interação humana, de desaturação visual.

Não prejudicamos a população com nossas interferências, as placas podem ser removidas com um simples produto de limpeza como foi dito - não é preciso tanto sensacionalismo ou imediatismo Sr. Adauto Martinez Filho (diretor de operações da CET). Também não facilitamos acidentes colando novos simbolos visuais sobre a sinalização de trânsito, afinal se o motorista não vê uma placa com o sentido da rua, é obrigado a parar e olhar para os lados, respirar um pouco no meio do trânsito caótico, ver as coisas, aliviar a tensão do seu ser eminentemente urbano.

"O condicionamento se reorganiza na percepção da mudança do código. Sentado-brinco, olhando-canto, percebo que existo." Beija-flor, integrante do grupo Don Quijote.

Estamos propondo exposições a céu aberto. No começo dos dois sentidos da avenida Brasil, por exemplo, haviam placas de entrada e saída de museu. Durante a passagem alegórica de carros alegóricos pela via, entrava-se em contato com placas líricas (piões e pipas). Denominamos de “Zona de la Alegria”. Na Rua Estados Unidos inúmeras placas brancas foram colocadas para emanar tranquilidade e vazio espiritual à cidade, fazendo referência ao respiro e a purificação necessária ao ser humano. Denominamos de “Zona del Zen”. O primeiro olhar bruto tende a querer definir e não deixar perceber e sentir pelo corpo toda a carga que as pessoas recebem e julgam através da mente.

“È uma interferência parecida como o grafite, mas tem outra linguagem. Ao invés de depredação, é uma discussão sobre a retomada do espaço público. Aparentemente é depredatória, mas não é. Essas imagens grudadas servem para discutir o espaço público.” Silvio Miele, professor de comunicação social e arte multimídia da PUC de São Paulo.

Despertar e amplificar o sensorial. Não queremos que as pessoas pensem a respeito, mas sintam a respeito. As placas não estão em oposto, ou não são contra a cidade. Existe algo que conecte essas placas à cidade. São os seres humanos. E infelizmente os seres humanos estão muito esquecidos na cidade. Nós acreditamos no ser humano. Proibido árvores na paulista, minotauro, polvos, piões e pipas na av. Brasil. Buscamos trazer uma fauna de lirismo para uma cidade carregada de maniqueísmos. As nuanças entre o branco e preto. Não somos artistas ou vândalos. O nosso trabalho traz essa fauna que está extinta, que geralmente se encontra nas galerias encaixotas, nas salas de cinema de 15 reais, ou na periferia nas comunidades de manifestação artística. Porque isso não pode se alastrar pela cidade? Por que a publicidade se alastra de uma maneira tão opressora e violenta e não é questionada ou não é criminosa. Vândalas são placas que querem colocar poesia e nuanças em espaços públicos? Isso é vandalismo? O que é vandalismo?

Porque choca tanto quando o patrimônio público é interagido? E por que não choca quando o patrimônio privado usurpa o patrimônio público? Porque isso não é questionado e é tratado com tanto respeito pelos meios de comunicação que deveriam fomentar esse tipo de discussão? Vejam que curioso o anúncio de uma das maiores agências de publicidade do país (agência África), se não a maior. A placa é exatamente igual a uma placa de sinalização, aplicada exatamente nos postes de sinalização. Onde estão as denúncias de vandalismo? Onde estão as preocupaçõesde acidentes? Onde andará o poder público em relação as intervenções lícitas da indústria no espaço público, da publicidade?

Não queremos dar respostas. Fazemos perguntas. São perguntas para o corpo. Para as pessoas sentirem nossas perguntas. Não para as pessoas queimarem neurônios. É diferente! Se fosse assim estaríamos carregando uma bandeira panfletária, partidária, de significado único. Nossos símbolos valem mais que nossas palavras. Nossa energia não é a do protesto carregado de ódios ou angustias. Somos movidos por nossas próprias subjetividades. Acreditamos no coletivo como fruto de individuos com identidade, únicos, repletos de amor. E é com isso que produzimos nossas intervenções, que convidamos a todos para interagirem.

“Basta contemplar isso - o que permanece, o que se passa... sem acrescentar nenhum pensamento, sem se identificar com o que acontece, sem preocupação de si. Azul é a resposta do céu, verde a dos campos”. Jean-Yves Leloup, comentário sobre a IX etapa Zen

Saudações,
Don Quijote